domingo, 14 de julho de 2013

Vou-me embora


Este texto não é atual mas alguma coisa me levou de volta a ele. Como minha preocupação não é fazer nexo e sim seguir meu coração, aqui vai mais uma das minhas bolinhas de sabão.... PLOC!

Vou-me embora
Silvia Britto

Vou-me embora, meu amor.
Não consigo viver esse amor.
Tentei, falei, reclamei, chorei...
Mas não adianta.
Muda-se o meio mas não muda-se o escorpião.
É tua natureza.
Não sais mais em busca de corpos mas vives em buscas de mentes.
Não sei o que mais me doi. 
A Internet me trouxe para ti e é ela também quem te tira de mim.
Agora mesmo, vieste até a mim e não me viste chorar?
Aqui me deixaste e foste conectar-te ao "teu mundo".
Uma alma como a tua, boêmia e solitária, não havia de contentar-se em sedimentar.
Qualquer mulher, com um pingo de autoestima, entenderá minha atitude.
Vou fazer 50 anos, meu amor.
Não tenho mais tempo de chorar e sofrer por abandono.
Melhor só estar. Melhor encarar a vida de frente do que me iludir com um amor ausente.
Acredito que me ames, não te enganes.
Mas não soubeste me amar de modo a me convenceres disso.
Não soubeste cuidar de mim e deixaste minha dignidade esvair-se pelo vômito em teu banheiro.
Estou triste, solitária, ferida e desiluda.
Mas vou te carregar pela vida afora em meu coração.
Não sou dessas mulheres que carregam mágoas.
Nosso amor foi intenso e verdadeiro. Me arrancou gozo pelos olhos.
Mas como diz nosso poetinha, foi eterno enquanto durou.
Outras mentes conquistarás. Outros corpos seduzirás.
E a vida assim passará.
Vou-me embora como muitas outras foram. Deixando saudades e histórias para contares
Desejo-te muita paz e tranquilidade para seres quem és.
Mas não consigo mais.
Te amo.
Eternamente tua,

Morena.

sábado, 13 de julho de 2013

Um viva ao amor


Um viva ao amor
Silvia Britto

Outra tarde, caminhando com a Ritinha, minha viralatinha linda, pelas ruas da Urca, deparei-me com uma cena que me emocionou imensamente pela sua ternura e delicadeza, mas que também me fez parar para pensar.
Sentadas na muretinha da praia, voltadas para o mar, havia duas meninas, de lá seus vinte e poucos anos, conversando. Vestiam-se como uma época foi moda, quando eu era adolescente, com saias longas e de um florido suave, no melhor estilo hippie chic, como se diz atualmente. Os cabelos eram longos e escuros.
Uma delas estava sentada, mirando o mar, enquanto a companheira, delicadamente, trançava-lhe os cabelos numa longa trança. De repente, pararam o que estavam conversando alegremente, olharam-se e deram-se um delicioso beijo na boca, terminado por um olhar tão cúmplice, que pareceu-me durar uma eternidade. 
Fiquei encantada com aquela cena, que tinha como pano de fundo o mar, o pôr do sol e o Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara. E a vida seguiu-se. A trança atraiu novamente a atenção da moça de dedos ágeis e o papo continuou, com risos e suaves sons femininos, vindos do lindo casal.
E foi aí que eu parei para pensar... 
Como alguém, em sã consciência, pode encarar aquilo como um "desacato à moral" ou, pior ainda, como uma doença a ser "curada"? Por que algumas pessoas olham para aquela cena linda e ficam indignadas, querendo castrar o direito àquele amor? Alguns, principalmente os homens, olham para aquela "belezice" e apenas veem um ato sexual acontecendo em praça pública.
Olhei para a Ritinha, caminhando feliz ao meu lado, e ela parecia não se importar. Olhei para o Cristo, e ele continuava lá, abençoando aquela cena inquestionável de amor. Pensei e pensei e não cheguei à uma explicação plausível de por que algumas pessoas se sentem tão incomodadas com o amor. Essas mesmas pessoas, assistem às lutas de UFC com grande entusiasmo e alegria, algo, para mim, inconcebível. Mas não os critico. Sei que todos esses sentimentos são inerentes à raça humana. Só não entendo por que tanto preconceito com o amor e tanta vibração com a disputa.
Como não havia jeito nem resposta, segui a caminhada com minha linda amiga, tendo cada vez mais a certeza de que vivo em alguma espécie de mundo paralelo e que, na minha Constituição, amor, aceitação, tolerância e respeito são cláusulas pétreas de suma importância.
Um viva ao amor!


A menininha


A menininha
Silvia Britto

Era uma vez uma menininha muito séria e compenetrada ( e fofa, não?) que morava em um lugar muito 
longe, chamado São Luis do Maranhão.
Para comemorar  o sete de setembro, as escolas maranhenses iam todas às ruas, desfilar e orgulhar-se de fazer parte de uma pátria livre e independente.
Nesse dia, a tal menininha estava sentindo-se a mais importante das criaturas. Afinal, ia no pelotão de frente da 
Escola Rosa Castro, uma das mais conceituadas da cidade. 
Essa foto estava na primeira página de todos os jornais da cidade no dia seguinte. Chiquérrimo!
Porém, o que poucos sabem, pois não aparece na foto, é que no pelotão logo atrás, tocando trompete, vinha nada mais nada menos, alguém que se tornaria um dos maiores ídolos da menininha nos dias de hoje: Alcione! 
Não é o máximo?!??!
Desde então, a menininha chora e emociona-se quando vê nem que seja apenas meia dúzia de soldados marchando ao som de um tambor. Sempre que dá, vai aos desfiles do Dia da Independência e as lágrimas pulam como gotas de emoção, felicidade e um orgulho imensurável de ser maranhense e acima de tudo brasileira. 
Vai tentar explicar as peripécias da emoção!
Essa menininha é muito viva em mim e cuido dela com muito amor e carinho. 
É uma das joias mais preciosas que trago dentro de mim. Me conecta com essa pureza da infância. 
Constantemente me convida a brincar de pique, tomar banho de chuva, tomar picolé de chocolate sem medo de ficar toda lambuzada, mergulhar no mar, rodopiar, enfrentar a roda gigante do parque, escrever, ler gibi, rodopiar até ficar tonta, dançar, rir, chorar de raiva, fazer pirraça...
Enfim, viver!
Quis apresentá-la a vocês.
Seu nome? Silvia Helena.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Desabafo


Desabafo
Silvia Britto

Sem sono e deprimida...
Ficar doente não é bom, mas ficar doente sozinha é muito pior.
Sensação de abandono, de descaso.
Sinto-me como se fosse inapropriada.
Será isso o que as pessoas chamam de manter sua individualidade?
Individualizar os sentimentos, as carências, os afetos?
Realmente, às vezes, acho que não caibo direito nesse mundo.
Sou do time da cumplicidade, do companheirismo e da entrega total.
Óbvio que há coisas que escondemos até de nós mesmos e todos temos segredos.
Mas a minha essência está aí, exposta. Isso é meu bem e meu mal.
Há alguns anos, desisti de viver só de migalhas, pedaços incompletos e pessoas de quem eu não consiga encaixar todas as peças de seus quebra-cabeças.
Obviamente que, quanto maior a intimidade, mais peças há para serem encaixadas.
E é aí que começam a surgir os problemas.
As pessoas começam a esconder seu jogo, suas cartas, suas peças.
E o quebra-cabeça não consegue ser montado.
Eu, nesse mundo de jogos e falta de confiança e entrega, posso ser comparada àqueles quebra-cabeças de bebê. Sabem aqueles, de apenas 4 peças? Pois é.
Isso é ser uma mulher fácil? Então tá. Sou fácil sim. Não sei ser de outra forma.
Talvez por isso eu viva perdendo nesse jogo de cumplicidade, amor e entrega.
Desculpem-me pelo desabafo bobo no meio da noite e se, com isso, invadi suas privacidades.
Foi mal.

Paz no Inferno




Paz no Inferno
Silvia Britto

Meu coração finalmente encontrou a paz.
Não a paz dos contos de fadas que essa, além de não existir, é muito chata e monótona.
Quem quer saber de príncipes encantados engomadinhos, cavalos brancos, castelos encantados, que devem dar um trabalho enorme para limpar, e felicidade para sempre?
Felicidade demais cansa! De nada valeria se não fosse entremeada de tristezas e decepções para que pudéssemos valorizá-la.
Falo da paz do mundo real. Dos que ousam sonhar acordados.
Aquela paz que perturba, nos deixa inseguros, faz nosso coração bater desacelerado e nos faz tanto bem.
Não há nada que me traga mais paz do que acordar e ficar ansiosa, pensando se estarei sendo correspondida nas minhas loucuras.
Nada mais tranquilo do que os momentos que se seguem após o amor selvagem e sôfrego.
A paz do mundo real nos tira da acomodação e da mesmice.
Descobrimos que aquele papo de "não sou ciumento", "quero ser independente", "não gosto de andar na chuva", é tudo balela.
Papo de raposa sem acesso às uvas.
Bom mesmo é morrer de ciúmes. Ser posse e proteção.
Acabar-se de rir e chorar, tal qual sol e chuva.
E foi isso que eu encontrei. 
Graças à meninice da minha alma curiosa e ousada, e à cretinice dos amores bandidos.
Finalmente estou em paz no inferno da vida.
Amo você, meu contrabandista de gozos, cafetão da minha alma, boêmio da vida!
Obrigada por trazer paz e dasassossego à minha estrada, que agora é sua também.
Dê-me sua mão. 
Vamos caminhar.

Maracabosta


Maracabosta
Silvia Britto

Esse Novo Maracanã, padrão FIFA, é uma bosta!
Palhaçada o ingresso mais barato custar 100 reais!
Estão fazendo com o nosso Futebol, a mesma coisa que fizeram com o nosso Carnaval!
Onde já se viu pagar aquele absurdo para ver a Mangueira entrar?
A Mangueira sempre entrou de graça!
Assepsia não combina com futebol!
Politicamente correto, menos ainda!
O Seeddorf não é um afrodescendente! É um negão muito do lindo!
Não me surpreenderei se daqui a pouco as traves das chuteiras forem de ouro e os jogadores obrigados a fazerem Botox e plásticas para exibirem um padrão Beckham nos gramados!
Coitados dos Ronaldinhos Gaúchos e dos perna-torta como nosso inesquecível Garrincha!
Só não correrei o risco de ser presa por continuar a mandar o juiz tomar naquele lugar, porque sou uma brasileira "normal" e não tenho 100 reais para perder em um espetáculo sem alma e sem bandeira!
AFFF!
Querem saber, dona FIFA e gerentes dessa nova bosta? Vão à merda, antes que eu me esqueça!!!
Isso, porque sou uma dama e não vou falar aonde vocês realmente devam ir!


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vida “coisada”




Vida “coisada”
Silvia Britto

Sei lá... Acho que a minha vida está, tipo assim, “coisada”, sabem como?
Sabem quando a gente não consegue juntar coisa com coisa?
É uma coisa esquisita, mais parece coisa do capiroto.
Coisas esquecidas, coisas cobradas, coisas a mim atribuídas que não são coisas minhas.
É cada coisa! Como coisa que eu merecesse isso!
Sempre deixei minhas coisas de lado para ajudar nas coisas dos outros.
Qualquer coisa, era só me chamar!
Mas estrou aprendendo que as coisas não podem ser bem assim...
Coisar a vida dos outros, faz com que esqueçamos de coisar a nossa!
Daqui pra frente será assim! Cada coisa no seu lugar.
Sei lá, tipo assim, sabem como?
Sacaram???