terça-feira, 10 de novembro de 2015

Espinha quebrada


Espinha quebrada
Silvia Britto

E mais uma vez a vida me pôs de castigo. Se uma vez quebrou meu sorriso para que eu aprendesse a sorrir, desta feita, quebrou minha coluna para que eu aprenda a manter a minha postura, sem me curvar ao que não me parece lógico.
Até aqui, minha vida tem sido um eterno cuidar, facilitar, ajudar, corresponder, arrumar. Sempre declinei do meu direito de também ter fraquezas e desejos. Carregava, sem parar para pensar, o peso do mundo nas costas. De tanto me curvar, está aí o resultado: minha coluna quebrou!
Passei quase uma semana de cama, quase imóvel, de castigo, obrigada a pensar e refletir sobre o meu comportamento. Descobri que há muita coisa certa e corajosa em minhas atitudes. Entretanto, fui forçada a admitir que há muitos equívocos na visão que tenho da vida.
Equívoco número um, é esperar que me cuidem da mesma maneira com que me dedico a cuidar de quem de mim precisar. Nem todo mundo é um “cuidador universal” como eu. Não tenho limites para a minha entrega. Choro, esperneio, grito e tenho uma coragem até imbecil de demonstrar minhas emoções e frustrações. Exponho-me sem a menor preocupação com estratégias de autoproteção.
E com isso, vou deixando que pesos enormes acumulem-se sobre o meu lombo. Às vezes por ingenuidade, às vezes por medo de magoar aos que me cercam. Medo esse, falso, perverso, que prejudica apenas a mim mesma, pois os outros, nem percebem a suposta proteção que lhes dediquei.
Lamento por não ter sido capaz de assumir meus desejos de forma mais rápida e lúcida. Vivia perdida, à deriva, em um mar que insistia em chamar de injustiça. Nada mais somos do que o reflexo das nossas escolhas. Tudo que acontece em nossa estrada, de certa forma, é uma escolha nossa. Portanto, não há que se falar em injustiça.
Da minha estrada, não tenho dúvidas. Amar é assumir a liberdade de ser feliz. Liberdade essa, que chega quando perdemos a necessidade de querer impressionar o mundo com nossa força ou flexibilidade diante dos problemas que parecem fazer fila, esperando o momento certo de furar os nossos sinais internos de proteção.
Ainda tenho muito que percorrer até sentir-me plena pois, infelizmente, isso não depende só de mim. Desconfio até que nunca o serei. O foco, mais uma vez cai no velho clichê de viver um dia de cada vez.
Se essa é a única solução que parece ser lógica, no momento, é hora de despir-me das expectativas que crio em torno do que é ser feliz. É hora de tirar o manto de mulher forte, que pode receber o peso do mundo nas costas. É hora de pedir água e um tempo para pensar e reformular o conceito de felicidade. É sabê-la infinita enquanto dure mas ter plena convicção de que é passível de fim. Novamente, é viver o tal dia de cada vez.
Quem sabe assim, mais leve, minha coluna consiga seguir, ereta, um pouco mais, por esta estrada adentro? Vou seguir o conselho do sábio confrade Botafoguense, o Zeca, deixando a vida me levar, sem nunca perder o meu já famoso rebolado, aquele, que é mais que um poema.

Preciso ir às compras: um pouco mais de espinha, por favor!

Reformular e recomeçar é preciso!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O poder da loucura


O poder da loucura
Silvia Britto

Às vezes me pego pensando, em madrugadas perdidas tentando entender o que a vida quer de mim, e hoje, um lampejo me veio à mente, já cansada e muito abatida de tanto procurar nexo para a minha existência. Já pensaram na força que a loucura e os loucos têm?
Não raro entreouvir-se por aí que fulano é louco, sicrano surtou, fulaninha é maluca. E isso, sempre vem acompanhado de um sentimento de desistência por parte de quem fala, como se estivesse justificando que as atitudes dos fulanos e sicranos é normal diante de sua loucura.
E nós, os sãos, como ficamos? Perdemos, constantemente, as batalhas pois, contra a loucura não há argumento. Falar com alguém cego por suas sandices  internas é como tentar enxugar gelo. Remamos, remamos, remamos e não saímos do lugar.
Eu, por temperamento ou teimosia, passo horas tentando argumentar com os pirados que cruzam o meu caminho e, inevitavelmente, termino exausta e com um sentimento enorme de impotência e incompetência em me fazer ouvir.
Não sou de largar o osso fácil, em nenhuma situação em minha vida. Isso me traz muitas vitórias, como o cargo público que conquistei  quase que na unha e à base de muito esforço, mas também me traz muitas noites mal dormidas, muitas dores de cabeça e muita dúvida em relação à minha própria normalidade. Sim, porque só um louco debate tanto tempo com outro louco.
Estamos rodeados de pessoas que vivem em mundos paralelos e deturpam os fatos da vida real como se vivessem no mundo da Alice, a das maravilhas. Suas realidades são tão ébrias e equivocadas que, às vezes, não vejo nem como começar um argumento. Por vezes, vejo-me embrenhada a tal ponto, que fico na dúvida se a louca de verdade não serei eu.
E os loucos da minha vida acabam sempre me vencendo, sugando minhas energias e minha tão desejada paz, que vivo buscando e que sempre me dá olé e escapa-me das mãos como um porquinho ensaboado correndo na lama.
Acho que eu deveria começar a rasgar dinheiro, comer cocô e também jogar  minhas inseguranças e dificuldades no colo dos outros para me sentir um pouco mais fortalecida. Só assim, talvez eu pudesse ter a força de que preciso para conseguir sobreviver nesse mundo de loucos em que vivemos.
Manter-me sã, em nada contribui para o meu bem-estar. Quanto mais tento manter meus pés no chão para dar a mão aos meus malucos de plantão, mais sou sugada pela areia movediça em que eles se encontram e parecem ter prazer em ficar. Quanto mais me entrego, mais me sugam. E esse movimento louco de puxar, segurar, aguentar firme, está me deixando sem noção de qual atitude tomar para manter-me intacta e com a cabeça fora d’água. As mãos que me acenam são muitas e vêm de todos os lados.
 Infelizmente, aos 52 anos de idade, ainda não fui capaz de encontrar um porto seguro para me amparar e me dar colo. Tenho certeza de que esse depoimento provocará mais revolta do que entendimento mas, como disse há pouco, em outro texto, se eu calar minhas palavras e meus textos, aí mesmo é que afundo de vez.
Uma revolta a mais, uma a menos, um grito aqui, outro ali, isso tudo parece que não pesa mais tanto em meus ombros. Simplesmente, pelo fato de perceber que, nada do que eu faça  ou diga, é capaz de impedir as revoltas e cobranças que me cercam de todos os lados.
Acho que estou começando a ganhar força na loucura também e desconfio estar embarcando no navio confortável da insanidade. Não sei. Será? Sou uma louca passando por sã ou uma sã que sucumbiu à loucura? Não sei. Diga-me quem for capaz.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O retorno às letras


O retorno às letras
Silvia Britto

Ok. Deixem eu respirar fundo, pois passei muito tempo longe das minhas letras, palavras e textos que tanto me encantam. Perdi um pouco a mão para escrever e as teclas ainda estão inseguras com esse meu retorno.
Infelizmente, há momentos em que a vida nos impõe certas atitudes e nada podemos contra ela. O mesmo trabalho, que lutei tanto para conseguir, acabou interferindo na minha positividade e fluidez de viver e brincar. Mas acho que chegou a hora de colocar esse cargo no Ministério Público no lugar dele: muito importante na minha vida mas, nem de longe, o centro dela!
Também não posso culpar apenas o trabalho pela minha ausência. Andei  meio perdida por aí, com complexo de super-heroína, achando ser a responsável pela paz de espírito e felicidade de outras pessoas. Era um apartamento que eu tinha que desocupar, uma filha que eu tinha que deixar amparada, uma irmã para ser cuidada, um amor que precisava sentir-se seguro. A lista não é pequena. Amigos, família, muita gente por quem me julguei diretamente responsável.
A verdade é que, nesse afã de salvar as pessoas, acabei me afogando em mim mesma. Passei meus dias preocupada em corresponder a todos e a tudo, esquecendo de cuidar da minha alma e da minha essência. Não brincava mais e as lágrimas, já tão conhecidas por  quem me conhece, caindo mais por tristeza e cansaço do que por alegria. Isso não está certo.
Chega de culpar os outros pelas minhas lágrimas e atribuir meu desconforto a causas externas. Se choro, é por culpa única e exclusivamente minha, que não soube me defender de energias que não me pertencem. Se me sinto  injustiçada, é pela minha falta de energia para blindar minha alma para fatos que não me pertencem ou que a mim são imputados de forma irresponsável  e sem fundamento.
Por esse tempo que parei de escrever, fui subornada pela insegurança, ganhei entrada gratuita para o show da tristeza e fui sondada pelo ciúme, que veio de mãos dadas com a baixa-autoestima. Ofertas muito tentadoras, quando se está em um momento de transição na vida. Estou, mais uma vez, tendo que reinventar o meu mundo.
Não adianta. Não posso ser responsável pela felicidade de ninguém. Já tenho um trabalho danado em manter-me íntegra para quando precisarem de minha ajuda, no que estiver  ao meu alcance. E disso me orgulho. Nunca desisto de pessoas que sinto estarem aí para contribuir com minha alegria e felicidade. Ainda estou em aprendizado de deixar partir as que em nada me fortalecem. Mas, aos poucos estou apurando meu faro para detectá-las.
O maior bem que posso fazer pelos que me cercam é ser eu mesma. Não adianta querer ensinar alguém a voar empurrando-o montanha abaixo. O melhor caminho é que eu voe, linda e solta, com essas asas lindas que Deus me deu. O melhor ensinamento é o exemplo. Se eu recolher minhas asas e deixar com que as lágrimas de tristeza as molhem, não deixarei ninguém, que realmente se importa comigo, feliz e muito menos farei a diferença na vida de ninguém. Nem na minha! Voarei livre e pousarei, linda e faceira ao lado do que me faz feliz, sem me deixar caçar pelas armas das carências e inseguranças de outrem. A melhor forma de me comportar é deixar bem claro que, se pousei, foi porque eu quis e nada me forçou a isso.
Fato é, que estou de volta ao teclado e não posso negar nem esconder a grande alegria que isso me dá. É como se a vida estivesse em stand by, esperando o momento em que eu voltaria a brincar. E isso me deixa imensamente feliz.

Vamos brincar de viver e  escrever?


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mais uma conquista


Mais uma conquista
Silvia Britto

E não é que eu consegui?
Ainda estou sob o efeito da notícia e, às vezes, penso até estar sonhando. Mas é verdade! Em poucos dias, serei a mais nova servidora do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro! Pelas evidências, tenho que convencer-me de uma vez por todas, de que não sou apenas um rostinho lindo em uma personalidade encantadora, rsrs.
Há coisa de 5 anos, minha vida deu uma guinada de 180 graus. De repente, eu era uma mulher só, com lindas lembranças de um casamento que durou 30 anos mas que chegou ao seu destino, sem amigos, que, inevitavelmente acabam afastando-se dos recém separados, sem emprego, e com uma irmã e uma filha para cuidar. Parecia que o mundo abria-se sob meus pés.
Parei, pensei muito, e a única coisa que me restava, além da alma inconformada com a acomodação e a alegria de viver, era uma viva lembrança de uma menina estudiosa, caxias e CDF, que amava estudar, estava sempre tirando notas boas e que tirou de letra o período acadêmico.
Decidi, então, tomar essa vantagem e dom que a vida me deu a meu favor. Tornei-me uma estudante profissional! Ingressei no mundo dos concursos públicos. Estudei muito. Assim como em tempos de escola, não faltei a uma aula sequer. Esforcei-me. Fiz amigos eternos e companheiros ao longo dessa jornada árdua. E acabou compensando. Prestei, finalmente, o concurso que seria a minha passagem para uma nova vida, independente financeiramente e cheia de orgulho próprio, por ver que minha luta não fora em vão.
Estranho é perceber que, até mesmo quando a vida nos é generosa, ela não é fácil. Depois de uma certa idade, não  existe ganho sem perda. Por um lado, a grande felicidade e orgulho pela minha conquista e, por outro, a grande tristeza de ser obrigada a deixar para trás o meu amor, meus amigos e, acima de tudo, minha filha querida.
Ela foi, por 18 anos, minha amiga, confidente, cúmplice e companheira. Por mais que eu saiba que ficarei fora por apenas um ano, nada mais será como antes. Ela cresceu e o ciclo de morarmos juntas, como mamãe e filhinha, chegou ao fim. Com certeza, continuarei mamãe e ela, filhinha. Mas não acredito que isso se dará, novamente, sob o mesmo teto.Por mais que me doa, tenho que aceitar que essa hora chega para todos. Só estranho que serei eu a abandonar, por força das circunstâncias, o lar. Coisas dessa tal de vida...
Apesar dos pesares, inicia-se mais uma fase na vida desta mulher, sem noção, petulante e guerreira, que nunca abaixará a cabeça à acomodação. Que minha luz me ilumine e que eu continue sempre colhendo os frutos de ser quem sou.
Deixo com vocês um grande abraço e a certeza de que todo sonho é possível se você desejar de verdade.
Até!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Por fim te encontrei


Por fim te encontrei
Silvia Helena

Procurei-te no menino empoado
Que descia a ladeira
Em desabalada carreira
Montado em sua Caloi

Procurei-te nos bailes adolescentes
Onde em minha inocência faceira
Saia a dançar ligeira
Com meus falsos heróis

Procurei-te no professor de Literatura
A cuja poesia feiticeira
Me entreguei, quase inteira
Não me quis. Mas não dói.

Procurei-te nas praças
De todas as cidades do mundo
Procurei-te nos bares
De todas as esquinas da vida

Perdi-me cansada
Em desabalada carreira
Até que ao subir, cabisbaixa, a ultima ladeira,
Uma rampa vestida com alvinegra bandeira,
Por fim te encontrei. Te salvei meu herói

Andei, procurei
Só te encontrei em ti.
Te amo
E fim.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Hoje é sexta-feira


Hoje é sexta-feira
Silvia Britto

Este texto foi escrito há uns dois anos, quando eu teimava em não me render à acomodação que teima em nos rondar pela vida afora. Mais uma prova que a rebelião pode dar certo! Hoje, eu até chego a sentir falta de tanta tranquilidade! Rsrsrs

Hoje é sexta-feira, bosta!
Se você quer saber o que estou fazendo em casa, ao invés de estar na night, dançando, encantando a todos com meu rebolado, que é mais que um poema, saiba que eu também não tenho a menor ideia, bosta!
Também poderia estar em casa, mas degustando um delicioso vinho em um romântico jantar, à luz de velas, com Frank Sinatra cantando ao fundo. Mas também não é o que a vida destinou-me para hoje, bosta!
Sei lá! Já perdi a conta das sextas-feiras que passo em casa, tentando imaginar a razão de ser esse o meu destino. Nelson Rodrigues dizia que, sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica. A minha resolveu ser santa e não pecar, bosta!
Sexta-feira chega mais rápido que Natal! Mas isso apenas para os que sempre ficam em casa, tentando consolar-se pensando que a vida é mais do que uma eterna festa. Eu não sou dessas! A vida é para ser festejada diariamente, principalmente na sexta-feira, bosta!
A sexta-feira chegou, bateu na minha porta e perguntou se poderia entrar. Eu respondi que sim, mas só se for rapidamente. Tenho novela para acompanhar, Globo Repórter sobre os avanços nas cirurgias cardíacas das antas para assistir e uma garrafa de vinho para terminar. Porque hoje, metade de mim é vinho e a outra, torradinhas com queijo. Afinal, as uvas que fizeram o vinho daquele jantar romântico estavam verdes e o Sinatra, rouco! Bosta!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

E ninguém cala este chororô


E ninguém cala este chororô
Silvia Britto

Antes de começar, faz-se importante esclarecer que não escrevo este texto por estar deprimida ou triste. Longe disso! Estou em uma fase de muitas realizações pessoais e a vida me tem sido muito generosa.Talvez esteja apenas um pouco incomodada comigo mesma por pegar-me tentando secar minhas emoções e ser menos do que eu sou. Não posso engolir meu choro e minhas inseguranças, sob o risco de morrer sufocada pelos mesmos.

Chorar, muitas vezes, é interpretado como carência.
Ser carente é nunca estar completo, é nunca ser capaz de estar contente.
Ser contente é sentir-se pleno. E isso, eu sou, pelo menos em relação à realização dos meus desejos e sonhos. Apenas os merecedores têm esse privilégio.
Obviamente, não tenho controle sobre a realização desses sonhos da maneira com que os imaginei. Mas procuro aceitar que meus sonhos também dependem de outrem e que ninguém pensa ou sente como eu. Somos únicos na nossa idealização de felicidade. Melhor seria dizer de "momentos felizes", pois já me convenci de que felicidade eterna não existe. Vivemos da lembrança e da expectativa de momentos felizes.
Infelizmente, (ou felizmente!) não me contento com pouco ou com partes. Dou muito, sou muito, busco muito. Só consigo contentar-me quando recebo de volta, pelo menos, a tentativa do retorno dessa entrega. Consequentemente, sou confundida com uma mulher carente, para quem nada parece ser suficiente. Sou muito teimosa na busca por essa cumplicidade.
Nem todos nasceram com parafusos a menos como eu. Doar-se, entregar-se, mergulhar de cabeça, é para os desmiolados ou para os que não se furtam à intensidade que a vida, em sua brevidade, merece. Não meço esforços para fazer feliz a quem amo. Mas essa sou eu! Meu tempo é o aqui e o agora. Tenho que aprender a respeitar o tempo alheio e até mesmo que esse nunca chegue.
Constantemente, minha intensidade transborda e é tida como ridícula ou como algo a ser ignorado. Sou tomada por carente ou dramática quando abro o berreiro para não deixar minha alma acomodar-se a menos do que acho que mereço. E sigo ouvindo, com o coração apertado pela falta de carinho e clareza do que venho a ser eu:

- Lá vai ela de novo, a bipolar! A "quadripolar"!
- Ela precisa do choro para ser feliz!

Triste é perceber-me engolindo as lágrimas para não perturbar os que não as entendem. Mas é uma luta perdida para mim. Nunca irei me satisfazer com a mediocridade da injustiça. Choro, esperneio, mudo tudo de lugar, ando de costas, de cabeça para baixo, pulando em uma só mão. Saio toda ralada dessa aventura que é viver, mas não deixo situações de provação vencerem meu direito à felicidade.
Quando digo que choro muito, creiam, não é por carência. Choro por tristeza, felicidade, por prazer. Choro por transbordar a intensidade da minha coragem e ânsia de justiça. Sei que posso, muitas vezes, estar equivocada na minha interpretação do que seja justo. Mas para isso existem as palavras e as conversas. Sei mudar de ideia, não sou cabeça-dura. Isso seria burrice e tenho, sem falsa modéstia, plena convicção de que burra não sou. Tola sim! Sonhadora também! Mas nunca burra.
Chorar é expressar-se e expressão é sinônimo de superação.
Portanto, sinto muito se incomodo mas:

- Cala o choro já morreu! Quem manda no meu choro sou eu!

BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!!!!