sexta-feira, 10 de julho de 2015

Hoje é sexta-feira


Hoje é sexta-feira
Silvia Britto

Este texto foi escrito há uns dois anos, quando eu teimava em não me render à acomodação que teima em nos rondar pela vida afora. Mais uma prova que a rebelião pode dar certo! Hoje, eu até chego a sentir falta de tanta tranquilidade! Rsrsrs

Hoje é sexta-feira, bosta!
Se você quer saber o que estou fazendo em casa, ao invés de estar na night, dançando, encantando a todos com meu rebolado, que é mais que um poema, saiba que eu também não tenho a menor ideia, bosta!
Também poderia estar em casa, mas degustando um delicioso vinho em um romântico jantar, à luz de velas, com Frank Sinatra cantando ao fundo. Mas também não é o que a vida destinou-me para hoje, bosta!
Sei lá! Já perdi a conta das sextas-feiras que passo em casa, tentando imaginar a razão de ser esse o meu destino. Nelson Rodrigues dizia que, sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica. A minha resolveu ser santa e não pecar, bosta!
Sexta-feira chega mais rápido que Natal! Mas isso apenas para os que sempre ficam em casa, tentando consolar-se pensando que a vida é mais do que uma eterna festa. Eu não sou dessas! A vida é para ser festejada diariamente, principalmente na sexta-feira, bosta!
A sexta-feira chegou, bateu na minha porta e perguntou se poderia entrar. Eu respondi que sim, mas só se for rapidamente. Tenho novela para acompanhar, Globo Repórter sobre os avanços nas cirurgias cardíacas das antas para assistir e uma garrafa de vinho para terminar. Porque hoje, metade de mim é vinho e a outra, torradinhas com queijo. Afinal, as uvas que fizeram o vinho daquele jantar romântico estavam verdes e o Sinatra, rouco! Bosta!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

E ninguém cala este chororô


E ninguém cala este chororô
Silvia Britto

Antes de começar, faz-se importante esclarecer que não escrevo este texto por estar deprimida ou triste. Longe disso! Estou em uma fase de muitas realizações pessoais e a vida me tem sido muito generosa.Talvez esteja apenas um pouco incomodada comigo mesma por pegar-me tentando secar minhas emoções e ser menos do que eu sou. Não posso engolir meu choro e minhas inseguranças, sob o risco de morrer sufocada pelos mesmos.

Chorar, muitas vezes, é interpretado como carência.
Ser carente é nunca estar completo, é nunca ser capaz de estar contente.
Ser contente é sentir-se pleno. E isso, eu sou, pelo menos em relação à realização dos meus desejos e sonhos. Apenas os merecedores têm esse privilégio.
Obviamente, não tenho controle sobre a realização desses sonhos da maneira com que os imaginei. Mas procuro aceitar que meus sonhos também dependem de outrem e que ninguém pensa ou sente como eu. Somos únicos na nossa idealização de felicidade. Melhor seria dizer de "momentos felizes", pois já me convenci de que felicidade eterna não existe. Vivemos da lembrança e da expectativa de momentos felizes.
Infelizmente, (ou felizmente!) não me contento com pouco ou com partes. Dou muito, sou muito, busco muito. Só consigo contentar-me quando recebo de volta, pelo menos, a tentativa do retorno dessa entrega. Consequentemente, sou confundida com uma mulher carente, para quem nada parece ser suficiente. Sou muito teimosa na busca por essa cumplicidade.
Nem todos nasceram com parafusos a menos como eu. Doar-se, entregar-se, mergulhar de cabeça, é para os desmiolados ou para os que não se furtam à intensidade que a vida, em sua brevidade, merece. Não meço esforços para fazer feliz a quem amo. Mas essa sou eu! Meu tempo é o aqui e o agora. Tenho que aprender a respeitar o tempo alheio e até mesmo que esse nunca chegue.
Constantemente, minha intensidade transborda e é tida como ridícula ou como algo a ser ignorado. Sou tomada por carente ou dramática quando abro o berreiro para não deixar minha alma acomodar-se a menos do que acho que mereço. E sigo ouvindo, com o coração apertado pela falta de carinho e clareza do que venho a ser eu:

- Lá vai ela de novo, a bipolar! A "quadripolar"!
- Ela precisa do choro para ser feliz!

Triste é perceber-me engolindo as lágrimas para não perturbar os que não as entendem. Mas é uma luta perdida para mim. Nunca irei me satisfazer com a mediocridade da injustiça. Choro, esperneio, mudo tudo de lugar, ando de costas, de cabeça para baixo, pulando em uma só mão. Saio toda ralada dessa aventura que é viver, mas não deixo situações de provação vencerem meu direito à felicidade.
Quando digo que choro muito, creiam, não é por carência. Choro por tristeza, felicidade, por prazer. Choro por transbordar a intensidade da minha coragem e ânsia de justiça. Sei que posso, muitas vezes, estar equivocada na minha interpretação do que seja justo. Mas para isso existem as palavras e as conversas. Sei mudar de ideia, não sou cabeça-dura. Isso seria burrice e tenho, sem falsa modéstia, plena convicção de que burra não sou. Tola sim! Sonhadora também! Mas nunca burra.
Chorar é expressar-se e expressão é sinônimo de superação.
Portanto, sinto muito se incomodo mas:

- Cala o choro já morreu! Quem manda no meu choro sou eu!

BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!!!!


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Parabéns ao meu amor


Parabéns ao meu amor
Silvia Britto

O tempo passa.
E com ele vêm os cabelos brancos, as rugas, as lembranças e as milhares de pequenas histórias que formam a imensa colcha de retalhos que somos nós.
Em dois dias você completará 60 anos de vida. Como não poderia deixar de ser, ainda mais se tratando de você, essa vida está repleta de lindas histórias, alegres e tristes, emocionantes e cômicas, mas todas trazendo a sua marca. Todas marcadas pela sua intensidade, emotividade, determinação e inteligência.
Você foi o filho que buscava caruru no mato para ajudar na mesa humilde de outrora. Que saía pelas ruas e não conhecia fronteiras montado em sua bicicleta. Levava duros castigos do pai, com quem aprendia, sem sentir, a ser um homem de verdade. Sentava à mesa na excitação antecipada de um delicioso, reconfortante e inesquecível ensopadinho de berinjela. Um filho que seguiu seu destino, guiado pelas mãos de seus pais, de forma íntegra e com muita coragem.
Também foi, e ainda é, o pai que não mede esforços, lágrimas, dores e gritos para mostrar o melhor caminho aos seus filhos. Não é fácil a tarefa de ser justo e amoroso ao mesmo tempo. Muitas vezes, isso é encarado como injustiça no momento dos conflitos e confrontos.  Contudo, o reconhecimento pelo amor incondicional, aos filhos dedicado, sempre encontra o seu caminho de volta.
E esse retorno do amor vem na forma de netos. Com os netos, a certeza da sua continuação e a grande alegria de receber em seus braços aqueles que representam a imensa gratidão dos seus filhos pelo homem e pai que você sempre foi. E você baba. E você chora. E você acalanta os seus pequeninos trazendo-os ao peito, fazendo-lhes cócegas para extrair as gostosas risadas e para escutar as doces palavras: “- Para, VOVÔ!”. E, ao contrário dos filhos, os pequenos não se poupam do grande prazer de falar, olhando em seus olhos, o quanto te amam. Mas você, como homem inteligente que é, percebe o coro de amor e gratidão sendo engrossado pelas lágrimas contidas nos olhos de seus filhos quando presenciam esse momento.
Dos amigos, só escuto elogios. Você tem um magnetismo pessoal tão grande que é impossível passar por algum lugar sem que o ambiente todo ilumine-se ao seu redor. E de todos os cantos, ruas e lugares por onde andamos, pipocam pessoas para enriquecer as histórias da sua vida. Todos, sem exceção, te chamam de irmão. E tudo que você sempre fez para ser amado dessa forma, foi ser você mesmo. Essa explosão de alegria, otimismo e generosidade, inerentes aos grandes homens.
E eu, chegando de repente nessa intensidade de vida que é, e sempre será, você, sinto-me honrada de ser tomada em seus braços no melhor abraço que já conheci neste mundo. Um abraço inesquecível, testemunhado também por todos que tiveram o privilégio de esbarrar com você nesta vida.
 E foi assim que te encontrei... De braços abertos para receber todo o amor que eu tenho para lhe dar e que você muito merece receber. Tenho o imenso privilégio de acordar entrelaçada a esse homem maravilhoso e de ser saudada, todos os dias com o som da sua linda voz, sussurrando aos meus ouvidos: “-Bom dia, meu amor... Eu te amo”.
Você é o filho do qual eu me orgulharia, o pai que eu sempre quis ter, o avô que me faz gargalhar com a sua inesgotável reserva de piadas e brincadeiras e o amigo que faz com que eu sinta orgulho de ser quem sou e de tê-lo ao meu lado.
Porém, acima de tudo isso, você é o amor que sempre busquei e que já estava prestes a desistir de encontrar. Quis o destino que você ainda pudesse ter a grande alegria de ouvir um “eu te amo”, sincero e apaixonado, de uma mulher que não mede, e jamais medirá, esforços para te fazer feliz. 
Eu te amo, meu Ronaldo. Tenha a certeza de que agora, até o fim da sua estrada, você sempre me terá ao seu lado cuidando de você e tentando retribuir ao grande cuidador que você foi durante toda a sua vida.  Dê-me sua mão e vamos juntos, pela estrada afora, fazendo um enorme barulho e soltando os fogos do nosso amor pelas praias, bares, sambas e partidas de futebol  do nosso amado Glorioso.
Parabéns, meu grande amor! Pela vida linda que você é, pelo homem que você carrega no seu peito, pela criança que escapa pelo seu sorriso e pelo amor que você transborda no seu coração. 
Termino com um clichê, que como todo bom clichê, transborda de tanta verdade:

- O aniversário é seu, mas o presente é nosso!

Eu te amo. Para sempre e mais um ano!

Sua,

Silvia.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

A idade da justiça


A idade da justiça
Silvia Britto

Não sou especialista em segurança pública, tampouco socióloga. Porém, muito tem me irritado esse discurso sócio-paternalista contra a redução da idade penal para os nossos doces marginais.
Muitos dizem acreditar que seja apenas a ação oportunista de alguns políticos para dar uma resposta à população com relação à sua inércia e incompetência de coibir a violência que assola nosso Brasil varonil. Concordo com eles, até certo ponto. Mas, neste caso, funcionaria, de fato, como uma maneira  mais fácil e direta de tentar diminuir a impunidade que reina sobre as nossas cabeças.
Na minha simplória opinião, penso que, se alguém é capaz de articular um crime, manusear uma arma, praticar um roubo, também é perfeitamente capaz de ser punido por isso. Sem essa de que eles são vítimas de uma sociedade desigual! E os que, vivendo em situações de até maior privação, não se corrompem? Devem esses últimos entender que estão bancando os otários e que o crime, na verdade, compensa?
Fazendo uma analogia, devem os pais punir as deficiências, desobediência e agressividade dos filhos ou devem, simplesmente, assumir a culpa e aceitar que foram eles mesmos os responsáveis pela má conduta de sua cria e deixá-los livres para reincidir? Afinal, o "poder superior" está aqui para dar um rumo certo aos nossos futuros cidadãos, ou para ser conivente com suas más condutas? Palmadas bem dadas, só não deu quem teve a sorte de ter anjos como filhos, e não capetinhas levados pedindo limites, como foi o meu caso.
Do jeito que está, os jovens contraventores têm cada vez mais certeza de que o crime precoce é uma grande saída para que façam sua breve aposentadoria aos 18 anos. Não há dúvida de que é preciso investimento em educação, em saúde e na integração familiar. Mas uma coisa não exclui a outra. Não é permitindo que cada quadrilha tenha seu "menor de estimação", para assumir seus crimes, que vamos resolver o caos generalizado em que vivemos. Cada problema, com a sua solução. Se, um dia, conseguirmos fazer nosso dever de casa e tornar as oportunidades, de fato, iguais a todos, como mágica, veremos que o número de menores infratores também diminuirá.
Sei que o sistema carcerário já está corrompido e deve ser reformulado urgentemente. Mas não é deixando futuros criminosos à solta que daremos fim à violência. Que tal, pelo menos começarmos a pensar em sistemas direcionados à  reclusão desses menores, obrigando-os a estudar e oferecendo ensino de qualidade dentro de prisões especializadas em recebê-los? Se não tiveram a sorte de ter pais que conseguissem lidar com suas deficiências de caráter, que o Estado assuma esse papel.
Portanto, podem estribuchar, soltar espuma pela boca, chamar-me de insensível e utópica mas sou ainda mais radical do que as propostas de lei. Acho que não deveria haver idade para a punição. Crime é crime em qualquer idade. Se uma criança de 7 anos mata seu amigo por vingança, é claro que é uma pessoa inapta para viver em sociedade.Se o que acham é que devemos passar as mãos sobre as cabeças dos doces criminosos e estupradores mirins, realmente, acho que estou no mundo errado.
Parem que eu quero descer!


domingo, 5 de abril de 2015

A coelhinha branca

A coelhinha branca
Silvia Britto

Certa feita, ainda na escola Rosa Castro, em São Luis do Maranhão, lembro-me de ter aprendido uma das melhores lições que a vida poderia me dar e que sempre trago comigo.
A ocasião era a Páscoa. Festa com todos vestidos de lindos coelhinhos! A turma estava alvoroçada diante do espetáculo que se aproximava.
Chegara a hora da escolha do "elenco" de coelhinhos. Haveria o azul, o amarelo e o vermelho também. Por conta dos meus sempre brilhantes olhos azuis esverdeados, fui escolhida para abrir o espetáculo, sendo o coelhinho azul. Seria a primeira a entrar em cena, seguida do amarelo e do vermelho também. Após essa abertura do "show" entraria o bando de coelhinhos brancos, com faces perdidas na multidão de "coadjuvantes".
Qual não era o meu orgulho! Sentia-me a "estrela" da trupe!
Porém, meu palco durou pouco. A neta da diretora, preterida ao papel "colorido" e destinada a ser apenas mais um dos coelhinhos brancos, abriu um berreiro de dar dó. Pelos pistolões da vida, acabou sobrando para mim, a troca de papéis. Perdi minhas lindas orelhas azuis. Fui de diva a figurante em questão de segundos. Lembro-me de não ter me dado por rogada e fingi estar tudo bem. Por trás, chorei até ficar com os olhos vermelhos, tais quais os dos coelhinhos.
O choro durou uma tarde, talvez uma noite.
Diante do inevitável, resolvi que iria fazer meu papel de coelhinha branca da melhor forma possível. Queria me divertir também! E assim fiz. Pulei mais alto que todos, empenhei-me nas barrigadas e me acabei de verdade nas cambalhotas, trazendo gargalhadas a todos os presentes. Acreditem, tudo que fiz foi abraçar meu "papel" com seriedade e empenho, independente do grau de importância a ele atribuído.
Felizmente, essa minha veia exagerada e palhaça, sempre me traiu, mesmo quando tentava passar despercebida. Ao fim do espetáculo, todos queriam saber quem era a coelhinha de lindos olhos azuis, engraçada e bundudinha que a todos encantara com sua entrega ao papel que lhe fora confiado.
Lição tirada: Não importa a missão que lhe for destinada. Faça-a com entrega, alegria e vontade, que até as "árvores" do cenário podem ter o seu valor reconhecido. Deixem a vida lhes levar! Mas sempre com alegria e nunca perdendo o rebolado. Eu nunca perdi o meu, o famoso "mais que um poema"!
Boa Páscoa!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Celebrar o quê?

Celebrar o quê?
Silvia Britto

Sem brincadeira...
Não creio em religiões, mas, se eu fosse Jesus, estaria muito danada da vida!
As duas festas maiores do Cristianismo, seu nascimento e morte, são mais celebradas por causa de um velhinho com um saco cheio(?) de presentes e por um coelho que põe ovos(?) de chocolate?
Onde está o sentido dessa fé? Comer bacalhau na sexta-feira é suficiente para render-se homenagem a quem morreu por toda uma legião de seguidores?
De qualquer maneira, desejo uma boa Páscoa a todos.
Aproveito para desejar Chag Sameach aos meus amigos judeus que comemoram o seu Pessach.
Celebra a libertação dos escravos hebreus do domínio do faraó egipcio. A mais linda história de libertação que conheço. Liberdade essa, conquistada a duras penas, muito sofrimento, dez pragas e 40 anos vagando pelo deserto hostil a caminho da Terra Prometida. Não esquecendo que Jesus, como um bom judeu que era, também celebrava essa libertação e foi traído exatamente no seder (jantar) de Pessach, que, a partir daí, ficou conhecido, pelos cristãos, como a Santa Ceia.
Seja qual for a religião ou a história, essa é uma época de celebração da vida, de superação, de realização do que parece impossível. A fé está em cada um de nós, na nossa força e determinação de domarmos nossos fantasmas e passarmos por cima das nossas dificuldades em busca da liberdade. E liberdade sempre me emociona.
Que todos tenhamos fé e acreditemos no nosso êxodo rumo à felicidade, na morte das nossas limitações e na ressurreição da nossa boa vontade de fazer um mundo melhor.
Amém!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nascer e morrer


Nascer e morrer
Silvia Britto

Mais uma dessas madrugadas...
Dizem que as madrugadas não foram feita para descansar e sim para pensar.
Verdade.
Mais uma vez estou eu aqui, falando sozinha, sem encontrar eco para as minhas palavras.
Falo sozinha. Para as paredes. Mas se quiser ser um pouquinho mais romântica, falo para a Lua, linda lá fora, ainda tentando dar-me um pouquinho da sua atenção.
De que adianta falar se as palavras não encontram um porto seguro onde repousar?
De repente, dei-me conta de que nascemos sozinhos e é exatamente assim que morreremos.
Sós nas nossas verdades, inalcançáveis aos que não nos querem ouvir por estarem embriagados por suas próprias verdades. Por aqueles que preferem o acalanto do sono às angústias e dúvidas que a realidade tem a lhes oferecer.
Realidade. Nada mais é do que um pesadelo que faz parte da vida dos que não querem ou não podem amar. Dos que não conseguem agarrar-se à linda viagem de sonhos que é a vida.
Nasci com esse dom, de saber amar. Com isso, sofro, sou mal interpretada e mal acreditada.
Nascemos sozinhos, vivemos nossas verdades sozinhos e, raramente, encontramos alguém que nos consiga ouvir.
A vida, quase que integralmente, segue fácil e tranquila quando optamos por viver apenas para nós mesmos.
Não é fácil e fico aqui, nesta madrugada, a pensar. Por que tudo tem que ser tão complicado? Por que a tendência universal é que sejamos tomados de acordo com a vivência de outrem, que insistem em não dialogar conosco e se mantém fiéis e reféns das suas crenças?
Como pode o mundo evoluir, o amor crescer e a vida tornar-se fácil e tranquila quando dependemos tanto da credulidade alheia?
Estou cansada de falar sem ser ouvida, de ver minhas belas palavras desacreditadas na sua veracidade.
Quisera fosse diferente. Mas qual! Vejo-me constantemente questionada na verdade de ser quem sou.
Que interesse teria eu de mentir? Já passei da metade do meu túnel. Já estou com idade suficiente para colher frutos e não para semear o meu futuro.
Por isso passei tantos anos descrente do destino. Não é dito que aqui se faz, aqui se paga?
Nada do que fiz foi com o intuito de cobrar. Mas questiono o motivo de nunca ser recompensada pelo imenso trabalho de ser quem sou.
Pelo jeito, é assim que tem que ser... Nascer, viver e morrer sozinhos, sem rascunho e sem borracha.

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