quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ter noção



Ter noção?
Silvia Britto

O que é ter noção?
É tomar CHICABOM e não ficar toda lambuzada?
É levar um caldo da onda e não sair com areia até no sizo superior esquerdo?
É achar que o futebol é o ópio do povo?
É não poder dizer bom dia ao dia, ao sol e às flores?
É não poder ler de cabeça pra baixo?
É não poder fazer sanduíche de melancia?
É honrar seus compromissos e a verdade, doa a quem doer?
Se é, não não...
Quero não...
Ter noção.

E NÃO ter noção?
É dizer "te amo" quando o coração mandar?
É poder beijar de língua através do pensamento?
É fazer amor despudoradamente?
É começar a rir sozinha no meio da rua sem ter que dar explicações?
É torcer para o Botafogo?
É parecer ridícula por ser feliz?
É amar quem se quer, do jeito que se quer, e ficar feliz apenas com isso?
Se é, sim sim...
Quero sim...
Ser assim.
 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Só acontece comigo...


Só acontece comigo...
Silvia Britto

Quando digo que há coisas que só acontecem comigo, ninguém acredita...
Toca o telefone, aqui em casa, e eu atendo:

- Alô.
- Oi amor! Que saudades da minha princesa linda! Amo você!
- Que bom! O amor é um sentimento tão lindo...
- Sinto sua falta 48 horas por dia, sabia?
- Você é um belo de um conquistador, hein?
- É que você me deixa assim... Eternamente apaixonado.
- Rsrsrsrs. Já me falaram isso antes. Mas a eternidade foi muito curta.
- Ahhhhh! Mas ainda bem que não durou! Você foi feita pra mim...
- Já ganhei o dia! Rsrsrs.
- Você dormiu bem, meu anjo?
- Maravilhosamente! Mas também, com essa vitória do Fogão!
- Fogão? Mas você não é flamenguista?
- Deus me livre e guarde! Fogão até morrer!
- Quem está falando? Marianinha?
- Não... Aqui é a Silvinha, serve? Rsrsrsrs.
- KKKKKKKKK! Desculpe! Pensei estar falando com a minha namorada!
- Não peça desculpas... Faz tempo que não recebo uma declaração de amor tão linda.
- KKKKKKKKK! Você é dez, sabia? E com esse senso de humor e essa beleza, duvido que não receba ou vá receber muitas declarações muito em breve. Além de tudo, você é linda!
-E como sabe que sou linda, seu mulambinho? Estamos ao telefone! Ou você trabalha para o Obama?
- KKKKKK! Sua beleza não precisa de olhos para ser vista. Você é linda e disso eu tenho certeza.
- Obrigada, querido. Foi muito bom falar com você. A vida sempre me dá esses presentes maravilhosos. Agora ligue para a sua Marianinha, que já deve estar sentindo muito a sua falta.
- Vou ligar. Ela nem vai acreditar que falei com um anjo tentando encontrá-la. Beijo, anja linda! Siga em Paz e obrigado por falar comigo e me brindar com sua linda energia.
- Beijo beijo!
- Beijo.

...




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Paixão Não Escolhe Raça

A Paixão Não Escolhe Raça
Silvia Britto


Há momentos em que a vida, essa sacana, resolve fazer das suas. 
Estava quieta em meu canto, brincando e flertando qual lagarta recém-transformada em borboleta, quando me deparo com duas espécies totalmente diferentes que chegaram para "zunzunear" meu voo: um gato e um cachorro. 
Sempre preferi cachorros a gatos. Leais, previsíveis, dóceis, carinhosos. Já gatos me passam uma ideia de liberdade arrogante, senhores do pedaço e uma segurança quase debochante. 
A vida, em um de seus eternos testes, presenteou-me com um cão e com um gato encantadores. 
O gato prendeu-me pela sua extrema sensualidade, seus poemas suas palavras, sua inteligência crítica e cruel. 
O cão encanta-me pela sua docilidade, sua brincadeira moleca, sua música, sua meiguice descompromissada.
O gato é egoísta demais. Vem quando quer, fica o quanto quer e só demonstra seu carinho em pequenas doses, que sorvo como se fosse a última vez que receberei tal atenção. Me ama mas não me quer. 
O cão chega assim que assovio. Enche-me de carinhos e mimos. Trata-me como se para ele, fosse a última vez. Mas está sempre pronto se o assovio ecoar de algum outro chamado. Me quer mas não me ama. 
Pensando bem, chego à conclusão de que cão e gato não são inimigos. Eles são opostos concretos e absolutos. Completam-se. 
E eu, coitada, no meio, tendo que decidir se me deixo arrebatar pela sexualidade magnética do felino ou pela fidelidade infantil do cão. 
Como decidir? Como seguir sem violentar minha essência? A vida, repito, essa sacana, bem sabe que sou a felina mais canina que há. Adoro brincar com o cão, mas quando canso, quero deitar-me ao sol com o gato. 
E tanto se completam essas duas paixões, que vejam quanta ironia: meu cão tem um gato e meu gato tem um cão! 
E eu, a essa altura só consigo pensar, MELECA!


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mulher Maravilha do metrô

Mulher Maravilha do metrô
Silvia Britto

Adoro andar naquelas calçadas rolantes da estação de metrô da Cardeal Arcoverde, em Copacabana.
Vou andando e pensando:

- Perturbadores da Paz e da Ordem, aqui vou eu! RÁ!!!!!!!!

Sinto-me a própria Mulher Maravilha!
Hoje mesmo tive essa sensação, de ser uma heroína superpoderosa.
Enquanto eu ia, com meus desvaneios de poder, em direção contrária vinha uma menininha de lá seus sete aninhos.
Ela me fitava de longe.
Quando cruzamos, ela sorriu, cúmplice.
Certamente, ela também é uma garota superpoderosa!

- RÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobre Túneis


Sobre Túneis
Silvia Britto


Tenho algo a te contar sobre túneis.
Sou praticamente uma especialista neles.
Desde pequena que os tenho atravessado com uma certa constância.

O primeiro deles foi quando eu era bem pequenina, seis aninhos, ainda em São Luis.

Certo dia, meus pais chegaram com a seguinte bomba:

- Vamos mudar para o Rio!

Lembro claramente que desabei a chorar. 
Minha primeira reação foi:

- Mas eu não sei nadar!

Todos riam quando esse meu pavor lhes era revelado.
Eu me sentia profundamente ferida e irritada com aquela reação adulta e insensível.
Então não percebiam que, para uma criança, morar em um "rio" era muito perigoso?
E os jacarés? As piranhas? As cobras de rio? 
Até hoje tenho pavor de jacarés.

Chegou o dia. E lá fui eu, lágrimas saltando-me dos olhos, obrigada a cruzar esse túnel enorme que me levaria 
da pequena Rua de São Pantaleão, em São Luis, ao desconhecido Rio de Janeiro. 
Lembro-me de ir pensando por que não poderia, pelo menos, ser o Rio de Fevereiro, meu mês preferido, do meu aniversário...
Havia muita coisa mal explicada.

Quando o avião levantou voo, meu coração acelerou, meu queixo caiu e os pequenos olhos arregalaram-se.
Senti uma sensação de liberdade inigualável. Até então, não sabia que podia voar!
E quando cheguei ao tal de Rio...
Bem, não preciso descrever o Rio. 
Não é por acaso que esta cidade recebe a alcunha de Maravilhosa!

A partir daí, perdi o medo de túneis.
Pelo contrário, eles me excitam. 
Fico a procurá-los por onde quer que eu vá.
Aprendi que, na verdade, são facilitadores de caminhos. 
Já imaginaste ter que chegar a Copacabana passando por cima de uma montanha? Até desanima...
Túneis são atalhos. São diretos.
Poupam-nos de ter que perder um tempo enorme de vida procurando maneiras de chegar.

Outra característica muito importante: eles sempre têm uma saída! 
Ou nunca reparaste na luz que fica do outro lado?
Também não há bifurcações em túneis! Olha que demais!

Túneis me fascinam. Significam mudanças rápidas.

Reparaste como, por muitas vezes, também nos servem de abrigo?
Com certeza já te aconteceu de estares dirigindo, em meio a uma chuva torrencial, 
de furar cucuruto de menino (como dizia minha avó), 
e sentir-te totalmente aliviado ao entrar em um túnel. 
São abrigos fantásticos.
E quando não desejamos ser encontrados? Não há esconderijo mais perfeito. 
É só entrar em um de nossos inúmeros túneis e SHAZAM!
Resguardamo-nos de tudo até estarmos prontos para retornar.
Muitas vezes, é só o que queremos. Abrigo e esconderijo.

Não tenhas medo de teus túneis! 
Se quiseres, posso até te dar a mão e te ajudar a atravessar muitos deles.
Adorarei! 
Verás como são fascinantes e excitantes.
Se alguma vez achares que o caminho está muito escuro, sorri! 
Deixa que esse teu sorriso lindo se encarregue de iluminar teu caminho.

Espero ter te ajudado a entender um pouquinho mais sobre esses atalhos da vida.
Objetividade, franqueza, honestidade, coragem, determinação, amor. 
São atalhos de vida. 
Túneis nossos de cada dia.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Amor


O Amor
Silvia Britto
Escrevi o título deste texto que agora leem e fiquei longos momentos olhando para ele, tentando entender minha ousadia ao querer falar de algo já tão bem falado, escrito e cantado por este mundo afora. Mas enchi-me de coragem e resolvi seguir em frente, afinal, o amor não se limita aos Drummonds e aos Buarque de Holanda. Nós, reles mortais, também padecemos desse mal.
Eu disse mal? É. Disse. Minha história não é uma de vitórias. É mais uma, dentre milhões, que terminam em lágrimas e tristeza. O amor encanta, hipnotiza e nos faz parecer eternos enquanto dura. Mas cobra caro por tal encantamento. E deixa um rastro de dores quando termina.
Eu disse termina? É. Disse. O amor é uma das poucas coisas que não acaba quando termina. E esse é o meu caso. Não acabou, mas terminou. Nunca acabará. Será parte eterna de meu baú de riquezas, como tantas outras emoções lindas que vivi e que carrego como joias raras, encrustadas em meu viver.
Infelizmente, o amor tem dois inimigos mortais que o fazem terminar: a desconfiança e a teimosia. E foram exatamente esses dois vilões que invadiram a minha felicidade. Mentiras que geraram inseguranças e histórias de vida que geraram teimosia. Quando esses dois se encontram, o resultado é fatal.
Eu disse fatal? É. Disse. A fatalidade não é uma palavra apenas negativa. Foi ela que o trouxe a mim e também ela que o levou embora. A vida é feita de encontros e desencontros. A fatalidade é aquela que gerencia esses encontros. É brejeira. Intempestiva.
Por isso, eu digo adeus a esse amor. Adeus, querido. Você nunca acabará. Deixo um pedaço de mim, tatuado em teu peito. Pequeno, para não ocupar-te os espaços. Levo-te também em meu seio e terei-te comigo nas noites frias do inverno que se aproxima, para que as lembranças acalentem-me a alma. Minha desconfiança e tua teimosia, terminam esta contra-dança.
Eu disse terminam? É. Disse. Terminou.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Minha linda Farofa

Minha linda Farofa
Silvia Britto

O dia, nove de setembro. O ano, 1983. Há exatos 30 anos nascia a menina. E eu, com meus então vinte anos de idade, fui visitar a mais nova princesa. O “rimão” esperava Isabela. Mas foi o avô quem definiu: Flavia! Flavinha para todos. Farofinha, só para mim.
E a minha menina cresceu. Passei de Meiena a Molena. De Morena a Tia Mô.
A vida nos separou quando a menina tinha cinco aninhos e eu, vinte e cinco. Mas nada separou nossos corações. A menina foi visitar-me, vim visitar-lhe. Mas nada separou nossas almas. Voltei e a menina foi. Conheceu outra língua mas sempre soube traduzir o que sentíamos em beautiful feelings.
Ficou geniosa, a menina. Para uns, passou das medidas. Para mim, só estava explodindo em vida, que teve que aprender a controlar. A menina chorou, a menina caiu, a menina lutou e, finalmente, renasceu. Renasceu em sua vontade de ser feliz e acreditou, finalmente, na sua grande beleza.
A pequena, que um dia quis “entlar na máquina, né?”, que, sapeca, tomou o calmante da avó, que encontrou pelo chão, que se acabava de rir quando dizia “bunda” em uma música de escabrosos palavrões que cantava com a doçura de um anjo, finalmente cresceu.
Cresceu na idade e na sua autoconfiança. Nas suas decisões. Na sua autonomia. Nunca em seu coração. Ou no meu! Casou, a menina! E hoje, segue linda e reconhecida por seu talento de ensinar. E eu, aqui, apenas observando e exultante de ser testemunha dessa vida que desabrochou.
Hoje, mais uma vez não estou contigo em matéria, minha menina. Mas meu coração, jamais te abandonará. Somos família de coração. Somos muito mais do que tia e sobrinha. Somos cúmplices de vida!
Amo você, minha Farofinha linda. E tenho a certeza de que você também me ama. Sigamos vivendo. Nem sempre sorrindo e nem sempre cantando. A vida não é apenas uma brincadeira para os que tem coragem de voar. Mas também, quando ganhamos altura, temos a visão do paraíso! Continue voando lindo e sempre que olhar para o lado, eu lá estarei.
Antes de terminar, e como de praxe, um beijo à que pariu tão precioso pássaro.

Agora me dê a mão e cantemos juntas:  “Os plesos leunidos na cadeia centlal...”!