domingo, 8 de setembro de 2013

Vestígios

Vestígios
Silvia Britto

Por mais que eu tente, volte às palavras passadas e aos momentos vividos em busca de vestígios de cumplicidade de um amor, só encontro mais e mais certezas de que fui apenas mais uma a preencher um tempo no espaço. A preencher o efêmero desejo de quem não se entrega ao amor.
Pelo menos, eu acreditei naquele sentimento e pude transbordar o que trazia dentro de mim. Amar, e amar muito, já é quase cem por cento do caminho. A completude depende apenas daqueles fatídicos 2 por cento que vêm do outro: um por cento de verdade e um por cento de cumplicidade.
Busquei o resgate dessa paixão por achar que havia possibilidade de totalizar cem por cento. Por isso mexo e remexo nesse baú de textos e memórias. Infelizmente, só encontro desamor e falta de carinho com a minha entrega.
Não queria que assim fosse. Nunca ficamos felizes com a falta de reciprocidade. Mas por mais que estivesse entregue, estava sozinha. Estava renegada a ser fonte de comentários maldosos de amantes possessivas e ciumentas. Era objeto de deboche por amar tanto e acreditar no amor. Estava sendo mal cuidada por quem julguei me amar.
Não lamento. Aprendo. Aprendo? Acho que não. A vida não me ensinou a dosar a minha entrega e o meu amor. Tanto melhor. Saio no lucro de ter vivido um sentimento puro e bonito, embora não recíproco.
Por quem não soube entender-me e aproveitar-me, sinto carinho. Não me entendam mal. Não sou nenhuma idiota, mal amada, santa ou deprimida. Sinto carinho porque essa é a minha natureza. Carinho pelos meus doadores e pelos meus usurpadores. Espero de coração que consigam ver sua imagem no espelho empoeirado de suas almas e que ainda dê tempo de resgatar esse sentimento tão maravilhoso chamado coragem.
E eu? Ah! Eu sigo por aí com mais uma linda decepção nas costas para enriquecer a minha estrada. Quem não tem medo de voar, nunca terá medo de cair.
E vamos à praia, que o sol está morto de desejo de me abraçar e o mar de me lamber!

Convite de xurrascu

Convite de xurrascu
Silvia Britto

A data num tá escorreta!
Foi burrice da mossa  que digetou pra mim!
Essas pessoa são muito dolentes, preguiçoza mermo.
Tem que tu fazer tu mermo pra sair bom!

Sem istresses, tio!

Intão! Tu não respondeu do convite.
Será que tu ia querer vim num xurrasco na laji,
Cum várias pessoa amiga,
No meio dia dum dia de verão de 40 grau,
cum aza de frango e torresminho,
Cuma impada di galo di acompanhante,
cerveja fresquinha, temperatura natural, tirada do isopor,
ao som do Belo e do Wando?
Diliça!

Eu fico feliz em qualquer geito!
Disso não tenho, a menor mínima dúvida...
Só depende da companhia que fica com agente.
E com vc, tchutchuco, como até doce de jaca(Eca!!!!) de sobrimesa.
(acho que umas das únicas coisas que não guento nem o cheiro, essa coisa é jaca!!!)

Marcamo quando?
Na sua laje ou na minha?
Seje rápido e responda logo.
To ancioza!

Segue em anexado uma foto tirada no ultimo dia que fiz um xurrasco ca turma.
Dessa vez vai ter menas gente pra ficar tipo assim mais intimidade, formô?

Orgulho de ser escolhida

Orgulho de ser escolhida
Silvia Britto

O orgulho que trago em meu peito, quase não dá espaço à pequena estrela, que brilha eterna e solitária, altaneira em sua insubstitualidade. É uma estrela de raça, a que trago no peito.
Muito emocionante para nós, Botafoguenses, ver o time brilhando e desfilando em campo, finalmente ocupando o lugar que sempre foi seu. Não fui da geração que viu o Botafogo reinar absoluto nos gramados. Não vi Garrincha e sua turma amedrontarem e ao mesmo tempo encantarem seus adversários. Mas isso não é necessário para que a linda estrela nos escolha.
Reparem que sempre escrevo com letra maiúscula os adjetivos Botafoguense, Gloriosa, Alvinegra, Cachorrada. Não é por erro ou ignorância gramatical. É por respeito. Respeito por esse amor  e essa paixão louca que tomam conta de mim sempre que o Glorioso desponta na saída do túnel.
Obviamente, o Botafogo não é para os óbvios. Muito menos para os normais. É para os que amam demais! Não conseguiria trazer qualquer outro emblema em meu peito. Minha relação com o Glorioso é de paixão incontrolável. Ele é o único malandro que deixo maltratar meu coração e que continua merecendo minha fidelidade e meu amor. Nada é simples nessa relação.  Quase nenhuma vitória nos faz sair do estádio respirando aliviados. Nem mesmo quando estamos em fase de liderar um dos campeonatos mais difíceis do mundo! Querem  relação mais esquizofrênica do que esta?
Pouco me importa, pode bater, pode maltratar que eu gosto. Ninguém cala esse nosso amor. Amor que não se mede, amor que não se pede, que não se repete. Que siga linda e radiante a pequena  estrela. Pequena na sua humildade de, apesar de ser a maior de todas, fazer  questão  de matar de amor a todos que têm o grande orgulho de serem escolhidos.

Te amo FOGO!

sábado, 7 de setembro de 2013

Quero ver o "marcha-soldado"!


Quero ver o "marcha-soldado"!
Silvia Britto

Querem saber mais uma coisa brega a meu respeito?
Sempre amei o desfile militar de sete de setembro.
Quando picorrucha, ia com meu pai assistir.
Quero ver o "marcha-soldado"!Ele também amava!
Era um dos poucos momentos em que ficávamos felizes e cúmplices juntos.
Chorava copiosamente de emoção ao ouvir os tambores e lindos hinos.
Vibrava com a Cavalaria e cantava aos berros o lindo hino da Marinha brasileira.
Lembram? O do "cisne branco"!
Até o ano passado, sempre que podia, ia lá, sozinha, assistir à marcha, lembrar-me de minha infância e deixar as lágrimas correrem livres ao som das lindas bandas.
Voltava à minha casa, irremediavelmente, portando uma bandeirinha do Brasil, com o peito inflado de emoção e a alma leve, de tanto chorar, rsrsrs.
Este ano, queria ir. Mas não me atrevi.
As manifestações populares, mais do que justas, têm a prioridade.
Não seria como na minha infância, nos anos setenta, em que, ingenuamente, eu era uma criança, alheia ao que faziam à nossa amada pátria.
O "marcha-soldado", hoje, terá como show coadjuvante o grito do povo pela real Independência.
Salve Brasil!

London Town

London Town
Silvia Britto

O dia, sete de setembro. O ano, 1988. Há exatos 25 anos eu desembarcava na casa dos Beatles, da Agatha Christie e do James Bond... London Town!
Lembro que a sensação foi a de descer no meio de um filme lindo.
Chorei muito e meu coração disparou de emoção.
Mal sabia eu que ali ficaria por nove anos de minha vida.
Anos em que fiz lindas e duradouras amizades.
Anos em que me alimentei de cultura, de lindos museus, de música e de tradições.
Anos em que ganhei meu mais lindo presente, minha filha, que carrega, orgulhosamente, a etiqueta "Made in England". Como agradecer pela acolhida do sistema público de saúde inglês, pelo carinho com que me ampararam nesse momento tão importante em que chegava minha Lady Ju? God bless!
Apaixonei-me pela cidade e sua arquitetura, mantida ao longo de séculos de História.
Andei pelos seus lindos pubs deliciando-me com infinitas Guinness, cerveja preta e forte, irlandesa, coisa de "macho", como me foi dito. Com ela descobri que sou mais macho que muito homem!
Dirigia pelos seus campos, encantada com seus pastos maravilhosos e bem cuidados, e rebanhos de lindas ovelhas. Sempre parava para tatuar aquela linda paisagem em minha alma. E consegui.
Saí da Inglaterra, mas a Inglaterra jamais sairá de mim.
Hoje, lembro com saudade e agradeço imensamente a essa cidade mágica que tão bem me acolheu.
London, I miss you! I love you. I thank you very much!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Carpe Diem

Carpe Diem
Silvia Britto

Acredita-se que o homem seja o único animal consciente da própria morte, fazendo com que o medo do fim seja um companheiro constante desde o momento em que  compreendemos essa verdade absoluta. Com isso, esquecemo-nos de viver o presente.

Obviamente, tudo que gera medo é sempre alvo de exploração da mídia. A imprensa mundial não cansa de explorá-lo, fazendo com que uma coisa mais do que natural torne-se o centro de nossas angústias diárias.

Isso faz com que o homem ganhe uma perspectiva falsa da própria existência. Acha-se  a grande mola propulsora do mundo. Acredita que o mundo só é possível por causa dele e clama que, com o seu desaparecimento da face da terra, tudo findará e o mundo deixará de existir.

Visão arrogante, que faz com que a esmagadora maioria das pessoas projetem suas vidas num futuro perfeito onde, ingenuamente, acreditam que o planejamento fará que com seu tempo na Terra seja o mais proveitoso possível.

O tempo e a vida são efêmeros. A vida pode estar resumida a hoje.  Portanto, nada mais sábio e verdadeiro do que o ensinamento resumido na frase latina: "Carpe diem". Aproveitemos o momento.Vivamos o presente. Para que antecipar a morte?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Rosh Hashaná - Feliz 5774!



Rosh Hashaná - Feliz 5774!
Silvia Britto

Hosh Hashaná é o Ano Novo judaico.
Dia em que todo o ciclo da vida é reiniciado com as colheitas nos campos. Relembra a criação do mundo e a sua tradução, do Hebraico, seria “cabeça do ano”. É um momento de introspecção, rezas e agradecimento. Momento de renovação de fé. É parte de um momento de crescimento espiritual e caridade.
À mesa, tem-se a challa redonda, o pão judaico, representando o círculo da vida. Maçãs são banhadas no mel, na esperança de que seja doce o ano que se inicia. Nas sinagogas escuta-se o toque da shofar, chifre de carneiro que, ao ser tocado, convoca à oração.
Tive o grande prazer de viver no seio de uma família judaica por 30 longos e lindos anos de minha vida. Hoje, não mais pertenço a esse seio acolhedor. Mas com 30 Hosh Hashanás no meu currículum, também aprendi a ser grata por tudo que a vida me deu e a ser receptiva a tudo que ela ainda tem a me oferecer. Um pedaço do meu coração ficou lá, com os Nadanovskys. Parte deles ainda carregarei comigo pelo resto da vida, nos olhos da minha linda filha, que não deixou a tradição morrer pelo fato de meu ventre não ser judaico.
Aprendi  com os Nadanovskys e  com esse lindo feriado judaico, a capacidade de tomar sempre decisões conscientes, de olhar para dentro de mim mesma, verdadeiramente, ver a minha própria vida e fazer as correções necessárias.
Hoje, quando a primeira estrela aparecer no céu e o ano novo começar, meu pensamento e meu coração estarão lá, no seio dessa linda família, e a primeira lágrima do ano cairá. Não de tristeza, mas de renovação.
Shaná Tová a todos e que o toque do shofar ecoe em nossos corações durante todo o ano, lembrando-nos sempre de sermos o melhor que podemos ser.
Shalom.