sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vem! Pode chegar!


Vem! Pode chegar!
SilviaBritto  

Um dos meus lemas de vida é: "Vem! Pode chegar!"
Há pessoas que, quando perdem alguém, acham que esse alguém nunca deveria ter entrado em suas vidas.
Não acredito nisso. 
Todos e tudo que vêm, vêm bem. 
Vão trazer-nos alguma lição valiosa.
Só se dá valor a momentos felizes por causa dos infelizes. 
Há sempre uma conta a ser fechada, um cafezinho a ser terminado. 
Eu quero tudo que a vida quiser e tiver a me oferecer. 
Utopia acreditar em eterna felicidade. 
A tristeza, assim como os dias de chuva, também tem o seu valor. 
Além do mais, o mais gostoso de tudo é o caminho que escolhemos para a tal felicidade. 
Essa, é fugaz e escorregadia. 
Felicidade é um agora sem pressa alguma de chegar.
Não quero ser feliz. 
Eu quero é a alegria de poder ser eu mesma.
Vem! Pode chegar!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

"Você é esquisita. Você é estranha. Você está amarela!"

"Você é esquisita. Você é estranha. Você está amarela!"

Este e-mail foi importantíssimo para que eu tivesse coragem de começar
a me expor.
Foi a primeira pessoa que me disse que eu sabia escrever.
Veio de um amigo que amo muito, um professor de sala de aula e de vida.
Sempre questionou meu ateísmo e conversamos muito sobre Deus.
Considero esta, uma das mais lindas mensagens que já recebi na vida.
Não é à toa que eu amo esse homem.
Um abraço bem apertado em seu coração. Beijo beijo!
... 

"Tenho dois conselhos: 
Escreva! E...
Ore/reze/medite/dance/agradeça/encontre DEUS! Não necessariamente
nessa ordem...

Leio muito, inclusive textos de alunos que pedem minha opinião: sempre
pouco sincera e muito mais didática: não posso desmotivá-los!!!! Não
combina com minha profissão dizer para eles: continue estudando e
guarde para você  essas  bobagens que escreve. Jamais! E não me julgue
por isso. Eu não tenho compromisso com a "verdade". Meu compromisso é
com a felicidade. "Mentiras sinceras me interessam"...

Mas por que disse isso? Porque você me impressiona com sua escrita.
Seus textos têm naturalidade, tem sabor e simplicidade. Amo a poesia
da simplicidade. Quem gosta de luxo é pobre. Quem gosta de pobreza é
intelectual. Eu gosto de felicidade. E quando vem escrita??? Aí me faz
sorrir ou chorar ou achar uma belezice. Você  tem essa belezice. A
beleza da esquisitice. Meus alunos fingem que não gostam quando eu
digo que eles são estranhos... E repetem isso entre si: "Você é
estranho!!" Ou então digo que eles estão amarelos. E eles repetem
entre si: "Você está amarelo!" E você também, na condição de aluna,
será vitimada com os mesmos comentários: "Você é esquisita. Você é
estranha. Você está amarela!" E o coração de todos eles, ou de todos
vocês, certamente consegue traduzir o que os ouvidos não percebem:
"Você é especial!"

Portanto, use essa belezice que você  possui a seu favor: ESCREVA!
Você vai encantar muitas pessoas. Eu me encanto.  Mostre aos ateus que
DEUS está na beleza dessas palavras. Porque resistir aos "fracassos"
pertence a Deus. Não creio  num Deus para fracassados. Para
conformados. Todos nós temos limites. Felicidade é conseguir
verdadeiramente sorrir dentro do que é possível.

Vá, moça, ser poeta de Deus na vida. É a sua missão!


Beijo  beijo."

Lindo ou o quê?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A bieleta

A bieleta
Silvia Britto

Esta metida que vos escreve, meteu-se, ontem, pela primeira vez, em uma trilha lamacenta e divertidíssima para jipes 4 x 4. E olhem que só há pouco tempo que descobri que isso quer dizer “tração nas quatro rodas”! Mas pouco importa! Em pouco tempo, provarei que tornar-me-ei uma asno volante... Oops! Quer dizer, ás no volante!
E assim, petulante que sou, assumi meu lugar de navegadora e lá me fui para o meio do mato e da lama. Obviamente, como não sou lá muito obediente, fui tomando uma bela de uma cervejinha gelada, que não sou besta!
Foi  tudo maravilhoso, mas também era necessário algum aprendizado mecânico. E ontem foi a vez da bieleta. Aprendi que tanto faz o tamanho da bieleta, desde que ela seja eficiente e rígida. Não devemos ficar trocando toda hora de bieleta, pois em time que está ganhando, não se mexe. Há bieletas para todos os gostos: pequenas, grandes, grossas, finas. Mas isso não importa, desde que ela saiba o que tem que fazer e o faça bem. Bieletas apenas tem que encaixar  gostoso, para que o motor adquira um balançado gostoso e cadenciado. Ou seja, sabendo usar a sua bieleta, ela vai te recompensar, sacaram?

domingo, 18 de agosto de 2013

Coração iluminado

Coração iluminado
Silvia Britto

Depois de um longo período de peito apertado pela falta de cumplicidade, pela entrega não retribuida e pela displicência dos que pensam que um coração conquistado deve ser colocado de lado, no canto da estante, meu coração respira, iluminado.
Já não mais me lembrava do que é ser tratada com cuidado e ternura. Peguei-me sorrindo para mim mesma, no espelho de água que a chuva deixava na noite molhada. O vinho ruim, alimentou-me a alma, e pareceu-me um néctar dos deuses, a aquecer minha solidão, dividida, até aquele momento, entre a acomodação conformista e o vácuo da incerteza..
Na penumbra do quarto, meu corpo foi redescoberto e minha energia capturada em forma de números "sete" e cores verdes. Minha essência irradiou-se em brincadeiras e jogos da verdade excitantes e deliciosos por terem suas regras obedecidas de forma sincera e sensual. Encanta-me entregar a alma em  ondas de gozos infantis.
A manhã chegou com cheiro de café e pão quente com manteiga. Com reencontro de amigos de infância. Com a delícia de fazer novos amigos e viver novas emoções. Na simplicidade do cheiro de esterco e lama. Na sintonia com os cães, a natureza e o mato.
E a cada toque que eu dava, sentia a reciprocidade na pele de quem sabe sentir. Sabem aquela sensação de ter as mãos acariciadas de volta a cada afago que fazem? Pois é. Que delícia ser vista, chamada de linda, e ter minhas palavras ouvidas e transformadas em músicas de Tim Maia.
Será que é amor? Definitivamente sim! Aonde vai dar esse amor? Pouco me importa! E mesmo que esse novo amor transforme-se apenas em amizade, já cumpriu a sua função de iluminar meu coração.
E te beijo com a boca de coração iluminado.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Um beijo e um abraço

Um beijo e um abraço
Silvia Britto

Acabo de chegar a minha casa, vinda de uma situação pra lá de humilhante, onde a culpa foi única e exclusivamente minha, por esperar mais das pessoas do que elas podem me dar. Já havia passado pela mesma humilhação por duas vezes anteriores e não tenho vergonha de colocar minha cara à tapa e assumir minha ingenuidade. Já falei antes, sou ingênua por opção, por querer acreditar sempre no melhor das pessoas, por não ter medo de acreditar no amor.
Chorava muito no ônibus que me trazia de volta à minha verdade, enquanto flashes desse ano que passou atropelavam minha mente. Fui acusada de sofrer de baixa autoestima, com o que discordo categoricamente. Meu amor próprio é tão grande, que acreditei ser capaz de contaminar àqueles que são limitados na arte de amar.
Mais uma vez a vida me provou estar errada. Não se contagia um coração fechado ao amor. Por outro lado, a vida também me provou estar certa em sempre acreditar e entregar-me toda e sem pudor. Apenas assim, sou capaz de entender, com verdade e honestidade, o mundo e as pessoas que me rodeiam,
Pois bem. Chorei e chorei e chorei. E solucei no ônibus sem o menor constrangimento de ser eu mesma. As pessoas me olhavam e deviam pensar: "Coitada! Deve ter perdido alguém muito querido ou é doida de pedra...".
E é mais ou menos isso. Perdi alguém a quem muito amei e também sou louca de pedra. Mas na verdade, ao parar e colocar meus sentimentos em ordem, vi que não fui eu quem perdeu. Eu fui perdida, na voz passiva mesmo. Na passividade de quem passou a vida sem conseguir ser verdadeiro e leal até mesmo com os próprios sentimentos. Como poderia eu esperar lealdade com os meus?
Agradeço muito à minha intensidade e vontade de ser feliz e honesta com o mundo. Nesse choro convulsivo, foi-se toda a minha dor. Entendi, de uma vez por todas, que não se pode esperar de ninguém nada além do que nos possa ser dado. Há pessoas que nasceram autocentradas e vaidosas. Verdadeiros Narcisos. Que não abrem nenhuma brecha aos que os rodeiam e que fazem da solidão sua melhor cúmplice. Essas não são para mim. Eu sou mais do que isso. Eu quero mais. Eu quero dar, mas também acho que mereço receber, se não no mesmo nível em que me dou, pelo menos de forma honesta e assumida.
Acabei de ver que fui excluída dessa vida só. Pena. Já havia conquistado todo o entorno dessa tristeza. Fiz amigos, despertei amores, ganhei pessoas que até posso agora perder em nome de uma lealdade para mim incompreensível. Mas tenho certeza de que as pessoas a quem realmente toquei, não me abandonarão e que seguiremos felizes nossa estrada de amizade e cumplicidade.
Desci do ônibus, com literalmente duas trouxas de roupa, qual retirante de uma situação de aridez e sêca emocional. Resolvi fazer o caminho da Praia de Botafogo à Urca de taxi. Meu coração já estava mais leve, pois minha dor, deixei-a toda no ônibus, com o salgado de minhas lágrimas.
O motorista do taxi, mostrou-se ser mais um daqueles anjos que a vida me presenteia, sempre que deles preciso. Começamos uma conversa leve e verdadeira, como só se tem com velhos amigos. Ele poderia até estar interessado em me "cantar", mas mostrou-se educado e gentil até nosso destino final. Rimos muito e ele me disse que não pareço ter os meus já bem vividos 50 anos. Que a alegria e juventude da minha alma passavam pelo viço do meu olhar. E querem saber? Acreditei. Essa sou eu mesmo. Uma moleca de 50 anos. Uma mulher que se conhece e sabe que tudo que faz é por amor e vontade de facilitar a existência de seus parceiros de jornada. Sigo só de alguém que até conseguiu me ver mas não soube me valorizar da forma que mereço. Chega de tentativas vãs. E sigo sem mágoas, palavra que meu coração desconhece.
E lá vou eu, estrada afora, com meu rebolado, que é bem mais que um poema.
Um beijo e um abraço.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Pessoas especiais


Pessoas especiais
Silvia Britto

Pessoas especiais, são aquelas que têm a habilidade de dividir suas vidas com os outros.
Elas são honestas nas atitudes, são sinceras e compassivas.
Sempre dão por certo que o "amor" é parte de tudo. 
São aquelas que têm a habilidade de se doar aos outros.
Lidam bem com as mudanças que surgem em seus caminhos. 
Elas não têm medo de serem vulneráveis.
Acreditam que são únicas e têm orgulho de ser quem são.
Pessoas especiais, são aquelas que se permitem o prazer de estar próximas aos outros.
Importam-se com a felicidade de seus companheiros de vida.
Elas vieram para entender que o amor é o que faz a diferença na vida.
Pessoas especiais, são aquelas que realmente tornam a vida cada vez mais bela.
Todos somos especias, desde que acreditemos nisso.
Um beijo e um dia muito especial a todos!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sou esquisita.

Sou esquisita
Silvia Britto

Estou longe de ser normal.
Sou esquisita. 

Já percebo minha esquisitice desde criança. 
No começo, lutava muito contra ela e tentava muito me enquadrar no mundo normal. 
Tarefa difícil para um espírito inquieto e questionador.
Passava muito tempo sentindo-me inadequada.
Porém, o tempo resolveu ser meu amigo e aos poucos fui liberando meu espírito. 
Obviamente, comecei a ouvir coisas do tipo "você não é muito normal". 
Ao invés de me preocupar, isso só me dá uma imensa alegria. 
Mostra que achei o caminho da minha liberdade, da liberdade de ser eu mesma. 
O mais interessante é que comecei a atrair pessoas lindas, que têm tudo a ver comigo. 
A vida ficou plena de emoções e finalmente quebrei o vidro que me separava da brincadeira. 
Aliás, esse vidro era a metáfora que usava nas minhas sessões de análise, ao descrever essa distância que me separava do mundo real, dos que tinham direito a brincar

Assumo: sou anormal e esquisita sim! Com muita honra!